talvez porque a moda é, por estes dias, a ideia de união nacional, calhará bem que, nas próximas eleições autárquicas, estejamos a eleger os líderes das novas uniões de freguesias, essa revolução do mapa administrativo nacional que tanto benefício nos há-de trazer...*

pode ser que, por interesse próprio, as estimativas da anafre (que poderia bem ser um nome de ave de rapina, mas não é), associação nacional das freguesias, tenham sido calculadas por baixo. ainda assim, tomando como exemplo um caso particular de meu conhecimento, não estarão longe da verdade, estes seis milhões e meio de euros. parece-me claro que nestas contas terão entrado custos directos com o executivo e membros da assembleia, bem como algumas despesas correntes para funcionamento da junta, enquanto entidade e/ou edifício, mas não custos com outros funcionários, os quais, presumo, acabarão simplesmente por ser absorvidos para a orgânica das uniões de freguesias. certo é que, na cabeça dos organizadores desta reorganização, entraram os custos politiqueiros de mexer onde realmente há dinheiro a movimentar-se - nas câmaras municipais, verdadeira base de apoio dos partidos, onde se vão recolhendo, trocando, pagando os favores que permitem ascender no interior meandroso dos partidos. considerando a quase nula autonomia financeira das juntas de freguesia, e comparando-a com a possibilidade quase pornográfica de criar endividamento público por parte das câmaras municipais, rápido se percebe que todo este alarido foi fogo fátuo para troika aquecer as mãos.

entretanto, de acordo com o mapa 4-a/2013, de 1 de julho, existem no território nacional, incluindo continente e regiões autónomas, 9.458.627 eleitores recenseados. ora, mesmo retirando das contas os que se recensearam mais recentemente, bem como os que fazem parte de freguesias que não se irão unir, nunca teremos menos que uns sete milhões (e, tal como a anafre, faço contas por baixo) de eleitores que terão recebido uma cartinha do ministério da administração interna, informando-os dos seus novos números de eleitor, basicamente o mesmo que antes, com a anteposição de uma letra, para identificação da freguesia de origem (por exemplo, na união matosinhos-leça, aquele será o a, esta, o b). sete milhões de cartas, sete milhões de folhas impressas, sete milhões de sobrescritos, sete milhões de taxas pagas... somando tudo, tinta, papel, sobrescritos, franquias, terá isto custado quê? milhão e meio de euros? dois milhões? é assim que se poupa, por estas bandas.

* ao contrário da adopção de um mapa único para todos os efeitos administrativos nacionais (eleitoral, militar, judicial, fiscal, policial, escolar, saúde, postal, etc.), que só iria atrapalhar, decerto.

adenda

manifesta o teu desagrado, mas à tua responsabilidade... depois não te queixes.