1 - diz que amanhã se joga o vitória dito de setúbal vs. FCP. isto, claro, se as condições meteorológicas o permitirem. considerando que, aquando do adiamento inicial, o mau tempo era evidente, o evidentíssimo temporal que tem vindo a assolar o país nestes últimos dias pode vir a impedir, de novo, que se pratique o dito desporto de massas. na altura, belas teorias, profundas de enredos obscuros, mais ou menos como os livros do orelhas, não o de bigode, mas o que dispara "notícias" com expressões faciais a acompanhar, que se vai a ver e são só bacoquice, belas teorias, dizia, se teceram, acerca dos verdadeiros motivos para que o árbitro, conceituado mundialmente, se bem que de tipos conceituados estava o lehman brothers cheio, tenha decidido adiar a prática futebolística, por não encontrar no relvado do bonfim o cenário desejável para que esta não fosse mera teoria e pontapé esforçadíssimo para a frente, muita fé no divino e força nos joelhinhos, que é para não magoar. resumindo, argumentavam os teóricos da conspiração que o adiamento para as calendas de janeiro, ao invés das quarenta e oito horas regulamentadas por defeito, beneficiava o FCP, que assim iria encontrar um adversário muito mais fraco nesse reagendamento, tudo por via do eminente contrato que meyong, ponta-de-lança titular e maior perigo para as redes adversárias que os setubalenses conseguiriam apresentar, estaria para assinar com uma qualquer equipa do estrangeiro, incluindo fora da madeira. como dizia, enredo bacoco... e um pouco hiperbólico, irracional, irreal, e por aí fora de senilidade. porque, para ter fundamento, teríamos todos de concordar, incluindo o cristiano ronaldo, o mourinho e o mário nogueira da fenprof, o qual, como se sabe, não é pessoa de, por princípio, concordar com coisa alguma, que o meyong é um messi que nunca teve oportunidades na carreira para brilhar na champions e marcar para cima de oito dezenas de golos oficiais num ano civil. ou, então, que nunca ninguém reparou nele. ou que nunca quis jogar numa equipa de topo. ou que é masoquista, demente e parvinho. porque só sendo messi é que meyong seria um factor de diferenciação tão pertinente. ao mesmo tempo, todos esses que assim baliram em uníssono retiraram uma grande quota de responsabilidade, nas vitórias e nas derrotas, e igualmente nos empates, na saúde e na doença, até que o árbitro apite para os balneários, a todos os vinte e tal colegas de meyong que com ele partilharam os campos de jogo durante os meses antecedentes. não é bonito. fosse assim, e mais valeria ao vitória futebol clube começar a preparar a época na segunda liga, porque, se com meyong, anda pelo décimo terceiro lugar, sem ele, não deveria pontuar novamente até ao fim da época. enfim, entremos um pouco nos números: meyong marcou 13 golos em 14 jogos que disputou, o que é quase perfeito. outra verdade é que marcou 13 golos em 9 desses 14 jogos disputados, ou seja, marcou em dois terços dos encontros. desses 13 golos, 5 deles terão sido decisivos, conquanto marcaram a diferença entre resultados possíveis, representando 9 pontos, de duas vitórias e três empates. de resto, em 2 jogos marcou 6 golos, com dois hat-tricks, um deles infrutífero na derrota caseira com o rio ave, outro deles não tão significante assim, na vitória contra... o último classificado, moreirense. aliás, dos cinco primeiros, e exceptuando o porto, com o qual não jogou, apenas marcou precisamente ao rio ave nessa derrota. por fim, 5 desses golos foram de grande penalidade. pronto, já sabemos que o plantel do vitória é qualquer coisa de horrendo, mas há-de haver pelo menos um homem justo e adequado para a execução desses lances, e só por isso talvez valha a pena salvar toda a cidade do sado... adiante, meyong acabou por assinar por um clube de angola, que é por onde anda agora o pilim, e há-de ter oportunidade de marcar golos no estádio da cidadela. e se não tivesse assinado? que diriam, agora, tantos detentores de certezas? diriam, possivelmente, que qualquer coisa andou no ar, calhou-lhes, ao FCP, foi mal. sim, porque o futebol e os resultados do FCP iriam mesmo depender de uma individualidade um pouco mais capaz numa equipa adversária que luta para não descer. só se entenderia que o FCP fizesse gosto em adiar o jogo numa hipotética situação: tendo ganho na luz, tinha, neste momento, todo um balão emocional, de motivação, pois com menos jogos, ainda assim, estaria na frente do adversário. já esse mesmo adversário tinha a ganhar com o cenário inverso, pois seis pontos, mesmo que com mais um jogo, ditariam um golpe significativo nas crenças portistas.
2 - por falar no jogo da luz... uns queixam-se de que aquele tipo devia ter sido expulso, aquele outro também, já para não falar das faltas e faltinhas, dos foras-de-jogo fantasma e das ridículas bolas de papel que não fazem mossa a ninguém - o golfe não é para todos, está visto. outros queixam-se de que aquele tipo devia ter sido expulso, aquele outro também, já para não falar das faltas e faltinhas, dos foras-de-jogo fantasma e da pirataria online ao canal da equipa. pelo meio, trocam acusações de corrupção. e ainda ninguém pensou que, talvez, o árbitro seja simplesmente uma nódoa no desempenho da sua função. e é, meus amigos, é... este jogo serviu, no entanto, para coisas mais importantes, como demonstrar as razões pelas quais o FCP continua na champions e o adversário não, exactamente as mesmas que levam a que os jogos deste para o campeonato sejam quase sempre de goleadas e frenesim, enquanto que os do FCP se resumem por vezes em alguns poucos lances, e um ritmo quase sempre de fastio das almas generosas que pagam bilhete ou pirateiam online as transmissões televisivas. tudo parte dos princípios com que cada equipa enfrenta os adversários, sejam eles quais forem: o FCP quer, sempre, controlar os acontecimentos. mais, quer dominá-los. tendo a posse da bola, circulando-a, ao ritmo conveniente, até encontrar o momento de acelerar, desequilibrar o adversário e, com isso, criar a probabilidade de um lance perigoso. esse jogo é quase sempre lento, apoiado no interior do terreno, e não tanto na largura, muito menos na profundidade a todo o custo. ao mesmo tempo, garante-se a solidez defensiva, com a resposta pronta às perdas de bola, por a equipa estar quase sempre equilibrada - se não se desequilibrou no ataque, não há razões para se desequilibrar ao transitar para a defesa. este futebol resulta em jogos europeus, porque só este futebol resulta garantidamente em jogos europeus. quero dizer, há outras formas de enfrentar equipas de topo, leia-se champions, mas poucas serão as que resultam tantas vezes de forma positiva nesses enquadramentos. cá dentro, porém, e apesar do que o nível das equipas poderia levar a pensar, as coisas dificultam-se pelo uso e abuso de tácticas que, embora jornalisticamente elogiadas pela organização muito certinha, não são mais que o abdicar de princípios ofensivos em prol da velha retranca. defender com toda a gente em linhas muito juntas e muito pertinho da área, para não dar espaço nas costas da defesa não é muito mais que aquilo que se fazia há alguns anos. a diferença é que, como se viu ultimamente, há outros princípios que se podem adoptar sem ser essa subserviência assumida e que espera por um milagroso empate a zero, ou um pontapé para a frente que resulte em golo. quantas equipas apostam neles contra o FCP ou outros candidatos a títulos? não vale a pena usar os dedos todos de uma mão. resultados: o FCP costuma acabar por vencer, mais ou menos facilmente, sendo que esta variação depende quase sempre da hora a que surge um primeiro golo. além disso, raras ocasiões permite ao adversário. mais ainda, raras são as ocasiões em que permite ao adversário a possibilidade de vir a criar uma ocasião de perigo. já o clube lá de baixo opta pelo inverso: a velocidade, a euforia, a goleada. mesmo contra equipas fechadas esse afamado "rolo compressor", que é, por vezes, mais sofreguidão, acaba resultando. basicamente porque água mole em pedra dura já se sabe; mas faca quente em manteiga, então... só que, lá fora, as equipas adversárias vão tendo mais valor, mais ideias, e aproveitam, se não os desposicionamentos, pelo menos a ausência de gente atrás da bola. ou seja, eles permitem é a possibilidade de se criarem lances de perigo. cá, a maioria das equipas não tem jogadores nem, pior que isso, as intenções a priori para que consigam criá-los. lá, a maioria das equipas tem tudo isso, e raramente dão abébias. num jogo entre ambos, resulta o mesmo que na europa: o FCP tende a controlar, o adversário tende a baquear contra a muralha organizada, esta sim, e daí as famosas bolas para a frente, por falta de outras soluções. tudo normal, porque tudo dentro dos princípios. é como jogar o pedra, tesoura, papel... quando duas ideias de jogo são diversas, há uma mais forte e que consegue condicionar outra. a grande surpresa foi o caos do segundo golo sofrido, muito pouco habitual. de resto, o FCP marcou dois golos porque não facilitou nas falhas adversárias, e criou possibilidades outras, precisamente aproveitando os erros de sistema adversário, possibilidades essas que acabaram sonegadas da finalização, por motivos diversos, sejam a incapacidade do último passe, a intervenção in extremis dos defesas, ou os foras-de-jogo. não criou mais sobreudo por lhe ter faltado o jogador mais criativo, james.
3 - a cada semana que passou, mais se notou que o FCP precisava de mais opções válidas no plantel, sobretudo em posições avançadas. claramente, havia um déficit de criativos, bem como de opções para a frente de ataque. e aqui entra a análise de duas contratações, uma real, outra que dizem por horas. primeiro, ismaylov, que já treina, joga e marca. não ponho em causa que seja um jogador com criatividade, capaz de criar situações de ataque, ou mesmo finalizar como se viu este fim-de-semana. ainda assim, não gostei da contratação. primeiro, porque não me acredito que tenha a condição física necessária para ser opção a sério, quer dizer, para poder disputar noventa minutos se for caso disso, antes de abril. aliás, nem sei até que ponto terá reais capacidades físicas para ser opção para tempos vindouros. quem nos garante que, de facto, ele não está já todo comido dos ossos, qual sokota com tiques nervosos? passou nos exames físicos. pois, o carlos martins também passaria nos exames físicos um em cada 8,37 dias por ano. se assim não fosse, já nem era jogador profissional. esperemos para ver se lhe passa o cansaço, fruto do tal treino complementar, sem dúvida a única forma de progredir, trabalhando ao ponto do corpo se adaptar aos esforços. segundo, quem nos garante que, daqui a um ano, não comece com as mesmas fitas porque, nessa altura, quer ir para não sei onde e de repente os problemas começam todos a vir à tona novamente, coitadinho. quem faz aquela ronha uma vez, faz outra noutro sítio qualquer. claro que, nas condições em que foi contratado, o FCP não teria muitos problemas em deixá-lo a apodrecer na sibéria do isolamento e falta de competição, mas vale realmente a pena o risco? já agora, aproveito para incursar pelo outro lado da situação, que é o lado sportinguista. eu, como adepto, não compreenderia certas coisas: a) como é possível deixar que um jogador permaneça ignorante da língua do país em que joga passados quatro anos? o defour ao fim da primeira época já se desembaraçava perfeitamente, por exemplo. b) a rábula com a transcrição do nome para o nosso alfabeto é só uma provocação ao sporting, ou simplesmente nunca ninguém lhe tinha perguntado como era? ou ele tinha dito, para que ninguém o ouvisse? c) por fim, a mais importante, como é que deixaram chegar um jogador a este putativo estado de debilidade física? são tudo coisas que, provavelmente, moeram a cabeça do tipo, e isso é sempre o mais importante. o segundo caso, liedson. eu comecei por dizer que o FCP precisa de opções válidas para o plantel. opções, não soluções. um jogador de créditos que a maioria diz firmados, com 35 anos, que será contratado meia época e com um salário significativo entra mesmo na categoria de opção? a mim, parece mais a descrição de uma solução de emergência para um caso extremo, que não será bem o nosso. vamos ter oitenta, setenta (?) mil euros sentados no banco, para jogar quinze minutos por jogo, quando está tudo decidido, ou quando é preciso acrescer presença na área, como se sói dizer, mas sem qualquer tipo de hipótese para a titularidade? podemo-nos dar a esse luxo de equipa rica/financiada por petrodólares? e um jogador deste estilo, com faro para o golo, mas sem grandes capacidades colectivas, enquadra-se no nosso estilo de jogo, em que o avançado tem de dar apoios, tem de aclarar espaços, tem de ser mais um e não apenas o responsável por "decidir"? não posso dizer, perante estas interrogações, que concorde igualmente com esta escolha, que talvez nem se chegue a confirmar. não que possa, no entanto, afirmar onde estaria a melhor opção.
4 - de resto, está tudo bem. excepto com as percepções de realidade desta senhora com que vos deixo:
garatujado por Artur Semedo num delírio existencial derivado de cenas como
Estupidez humana,
FCP,
Futebol nacional
Ai Portugal Portugal...
Brejeirice
Cãezinhos
Carcanhóis
Cinema
Decadentismo civilizacional ocidental
Desvios
Ele há coisas
Eleições
Esbanjamento
Esterqueira governamental
Estupidez humana
FCP
Futebol nacional
História
Linguagem
Livros de ler
Mais valia que deus nosso senhor me levasse
O gil vai voltar a ficar um bicho
O sistema está podre
Paradoxos
Pessimismo esclarecido
Piadas parvas
Poesia
Politiquices
Quotidianos
Recordar é Viver
Tenho demasiado tempo livre
Teorias que enfim
Tuguices
